Um grupo de cientistas iluminou um neurônio e capturou imagens do movimento de proteínas no seu interior. Usando a proteína de uma medusa, que é capaz de emitir brilho, os pesquisadores puderam ver, em tempo real, como as proteínas são direcionadas para as células neurais com o objetivo de renová-las.
“Seu cérebro está sendo desmontado e renovado todos os dias. No período de uma semana, ele vai ser constituído de proteínas completamente diferente das atuais. Nós já sabíamos que isso acontecia, mas agora podemos assistir”, disse Don Arnold, professor de biologia molecular da Universidade de Stanford, e um dos cientistas que participaram do estudo que produziu o vídeo.
Esta técnica de iluminar proteínas no interior das células, inclusive dos neurônios, já é utilizada por pesquisadores desde a década de 1990. A utilização de proteína bioluminescente da medusa (conhecida como PFV – Proteína Fluorescente Verde) é interessante pois esta passa a emitir um brilho verde quando exposta à luz azul.
A novidade deste estudo é que os cientistas conseguiram isolar apenas uma célula, evitando sobreposições que tornavam difícil o estudo de todo o processo de reconstrução neural e tráfego de apenas uma via, já que anteriormente todas ficavam igualmente iluminadas.
O estudo tinha como objetivo específico investigar como as proteínas são levadas para um dos dois tipos de compartimentos que existem no neurónio: o axônio e os dendritos. O axônio é a região da célula responsável pela transmissão de sinais elétricos para outras células, já os dendritos recebem esses sinais.
“Já se sabe há várias décadas que as proteínas são orientadas para um compartimento ou outro. No entanto, não conseguíamos entender como essa segmentação ocorria até termos a oportunidade de assistir as proteínas viajando”, disse o cientista Al-Bassam Sarmad, da Universidade do Sul da Califórnia e um dos autores da pesquisa, que foi publicada no periódico Cell.
O professor Don Arnold chamou o resultado da pesquisa de “surpreendente”. “Descobrimos que em vez de serem direcionados especificamente para os dendritos, as vesículas que transportam proteínas entram nos dois compartimentos, mas acabam sendo impedidas de seguir adiante nos primeiros segmentos do axônio”, disse Arnold.
Fonte: TeleSUR e Veja
















