Foi realizado no final do mês de julho em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre (Fisl). O encontro, já consolidado entre os mais importantes sobre o tema no mundo, reuniu diversas figuras importantes da comunidade de tecnologia livre, como o presidente fundador da Linux Foundation, John Maddog Hall, para discutir temas como a privacidade online, o marco regulatório da internet no Brasil, leis de controle ao acesso à rede, cooperativismo, sustentabilidade, políticas públicas, liberdade, filosofia e cultura de soluções livres.
Mas, afinal, o que diz o conceito de Software Livre? De que maneira ele está inserido em nossas vidas? De acordo com a Assaciação Software Livre.Org (ASL), “Software Livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em liberdade de expressão, não em cerveja grátis. Software livre se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software”.
Aproveitando o momento oportuno em que o tema está em pauta, o The Brazilian Post conversou com o coordenador-geral da ASL, Ricardo Fritsch, para quem o conceito “tem se consolidado está cada vez mais presente na nossa vida e na palma da mão”.
Como você avalia a Fisl deste ano e o amadurecimento da comunidade de software livre ao longo das 13 edições do fórum?
Há 13 anos tínhamos uma ideia e um projeto que deu certo. O software livre tem se consolidado e, da mesma forma que a tecnologia da informação, está cada vez mais presente na nossa vida e na palma da mão. O uso de programas e sistemas de código aberto já é bastante difundido e começa a abrir espaço para negócios que têm como base o software livre. É notável que hoje as pessoas em geral já estão mais por dentro do assunto. Isso é resultado de um trabalho muito forte de militância. Este ano atingimos um público de quase 8 mil pessoas vindas de 23 países e tivemos um enorme destaque na mídia.
Como é feita a articulação entre o movimento software livre internacional com as lideranças dessa área no Brasil?
Os ativistas brasileiros estão naturalmente inseridos e participam do movimento internacional.Temos, inclusive, lideranças brasileiras em redes internacionais, como Alexandre Oliva, que é um dos fundadores da Free Software Foundation Latin America. As formas de articulação são as mais diversas e vão de fóruns até grupos de e-mails.
Como você avalia a atuação do governo nessa área? O que precisa ser mudado e com quais objetivos?
O governo brasileiro é referência mundial na utilização de softwares livres e padrões abertos, com um conjunto crescente de projetos nesta área. No entanto, a Carta à Presidenta procura chamar a atenção para alguns recuos que desejamos que sejam apenas pontuais e não consequência de uma mudança de rumo. É importante observar ações em relação a patenteamento de softwares, direitos autorais, aquisições de softwares e liberdade de tráfego de informações na internet.
De que maneira o conceito de software livre é fundamental para a inclusão digital?
Nenhum aluno ou professor pode dizer que é livre, se o software que ele utiliza para aprender não é. Seria um contrassenso fazer inclusão digital com software proprietários, pois estaríamos aprisionando os novos incluídos.
Como você avalia as iniciativas de software livre no Brasil? Quais delas são exemplos de sucesso? E no que diz respeito às iniciativas internacionais?
Podemos citar a urna eletrônica, cujo sistema operacional é Linux, o UENux. O Banco do Brasil possui mais de 40 mil terminais com Linux. Os terminais de caixa do Banrisul utilizam Linux há mais de 10 anos. Como exemplos internacionais podemos citar que a NASA utiliza Fedora e RHEL, 2 versões de Linux, em seus computadores.
Quais são os principais empecilhos no Brasil e no exterior ao desenvolvimento das ideias propostas pela comunidade de software livre?
O lobby intenso das empresas que possuem seu negócio baseado em software proprietário é um risco constante. No entanto, governos e sociedades avançadas percebem facilmente as vantagens do desenvolvimento cooperado e do compartilhamento de conhecimento para o avanço tecnologico e para o progresso.




















