Nós, os seres humanos, somos por natureza seres criadores. Desde o momento que nascemos criamos pensamentos e sentimentos, estabelecemos relações com outras pessoas e o mundo da matéria a nossa volta. Novas criações estão constantemente substituindo algumas antigas. A destruição é parte necessária dessa renovação permanente.
Esta energia criativa em movimento é muito importante para nossa realização pessoal e para a manutenção de nossa cultura e sociedade. Para que ela possa preencher seu papel de nos trazer uma vida saudável e uma comunidade feliz, ela precisa ser canalizada de maneira positiva e elevada. De outra maneira, é como uma torneira aberta, que gera desperdício.
Sabemos que muitos psicóticos são extremamente criativos e isso traz algum benefício a eles próprios. A energia precisa ser expressada e não reprimida, mas o processo criativo para ser valioso ao todo requer os seguintes elementos essenciais:
1 – Esta energia deve fluir na direção de um propósito ou causa elevada. Se ela é gerada para satisfazer desejos limitados e egoístas, ela não expande para um bem maior.
2 – Ela precisa manifestar-se através do método correto, que é o de manter foco e economia. O lema deve ser “menos é mais”, ou seja, com menos deveríamos alcançar melhor resultado.
3 – Deve embasar-se em princípios nobres. A fundação que lhe dá suporte e permite que ela cresça para o alto são valores humanos espirituais, como a paz, o amor, a verdade. Quando estes valores são comprometi- dos por qualquer forma de corrupção: de caráter, econômica, política ou social, a fundação perde sua firmeza e capacidade de sustentar o edifício que é construído sobre ela.
Sem estes três elementos, tudo o que fizermos terá a chancela do ego e o resultado será pequeno, temporário e não estará contribuindo para a construção de uma nova ordem.
A inovação consistente, que não é apenas a criatividade para aparecer ou querer ser diferente, requer a destruição regular do que é obsoleto e não serve mais. Atenção consciente se faz necessária para que o movimento de renovação não seja uma destruição equivocada, mesmo inconscientemente.
Sem saber podemos estar solapando nosso crescimento, ou como se diz na linguagem vulgar: “puxando o tapete de outros” ou dando uma machadada em nossos pés, prejudicando nossa própria caminhada.
Esta transformação real e benéfica requer:
1 – Que o egocentrismo ou vaidade pessoal seja esmigalhado, reduzido a pó. Sem a consciência de sermos um instrumento do divino para o bem comum, a melhoria do todo não avança.
2 – Acabar com a expansão: muito tempo, energia e recursos são gastos para justificativas, provar-se correto, tentar convencer. Quando nos mantemos na essência, podemos nos libertar do inimigo do stress e do mal entendido constante das comunicações. Quanto mais ten- ta-se explicar, mais confusão é criada.
3 – Que cuidemos para não construir castelos sobre a areia, em que valores frágeis e fúteis sejam o sustento de nossos ideais.
Esta proposta é válida para o relacionamento entre duas pessoas, uma empresa, um governo e entre países. Junto com a criação e a destruição, um terceiro elemento é crucial neste processo: a sustentação ou nutrição.
Facilmente somos influenciados pelo entorno (mídia, valores mesquinhos, degradação da natureza, etc.) que não concorre para esta criação elevada. Para sustentar esse processo, o trio de ouro que garante a qualidade e a satisfação na vida é: Perspicácia (visão de longo alcance) / Perseverança (constância e regularidade) / Determinação (não desistência).
É da natureza do ser humano ficar satisfeito quando está preenchido. Quando damos espaço para nosso ser interior original (puro e completo) se manifestar, experimentamos um contentamento genuíno.
Buscar satisfazer-se com bobagens, passa-tempo, superficialidades e alegria artificial agrada por momentos fugidios, e passado o efeito temporário, o resultado é de um vazio ainda mais profundo. O vazio não é causado pela experiência, mas pela atitude mental atrás dela. Se a atitude for de dependência, de fuga de algum problema ou conflito, de estimulação dos sentidos apenas, passada a experiência, voltamos ao nosso estado de carência onde somos como mendigos espirituais sem autorespeito, humildade e felicidade, e a satisfação não se sustenta.
Checar nosso estoque interno regularmente e nutri-lo com boas práticas e bons pensamentos e sentimentos de bons votos por todos é a chave para a satisfação duradoura.
- Inner Space, Covent Garden



















