Comunidade internacional de mãos atadas no conflito da Síria

The Brazilian Post
in 13/06/12 by The Brazilian Post

Em meio ao fracasso da missão de paz da ONU liderada por Kofi Annan para colocar fim ao conflito que dura mais de um ano na Síria, nove países anunciaram a expulsão de embaixadores e outros diplomatas sírios de seus territórios. Estados Unidos, França e Reino Unido lideraram o movimento seguido por Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, Itália e Portugal. A ação foi uma resposta quase imediata ao chamado massacre de Houla, na sexta-feira 26 de maio, quando pelo menos 90 pessoas foram mortas por forças do governo Bashar al Assad e milícias que apóiam o regime – entres as vítimas estavam 32 crianças. O efeito dessa medida, porém, não resolve a situação síria. Pelo contrário, apenas expõem a impotência da comunidade internacional em relação à iminente guerra civil no país árabe, que tende a repetir os anos sangrentos do Líbano na década de 1980.

Tal incapacidade explica-se em partes pelo suporte que a Síria tem da Rússia e da China, que impendem qualquer ação mais rígida do Conselho de Segurança da ONU, como uma possível intervenção militar aos moldes do ocorreu na Líbia recentemente. Os russos possuem uma base militar no país e não vão abrir mão dessa posição estratégica – assim como os Estados Unidos não abrem mão da mesma posição no Bahrein, onde uma monarquia também reprime os opositores. Pesa ainda a ligação cultural da Rússia com os cristão ortodoxos sírios, que apóiam o regime. Isso faz com que as expulsões de embaixadores pouco tenha importância para Assad.

Outra base de sustentação da ditadura síria é o apoio de grande parte da sociedade. Cristãos e alauítas tendem a apoiar Assad, enquanto sunitas em sua maioria são contra o governo. Nesse canário, o conflito não pode mais ser visto como o de um governo repressor que mata manifestantes pró-democracia. Há milícias pró-Assad agindo contra opositores de forma independente que temem a instalação de um regime extremista sunita. E a própria oposição se divide entre manifestantes pacíficos que anseiam um país democrático e grupos armados cujos interesses não se tem certeza.

Sendo qualquer ação militar estrangeira no curto prazo uma possibilidade descartada – até para evitar a repetição do fracasso que se viu no Iraque -, a comunidade internacional pouco tem a fazer para resolver o conflito a não ser confiar em planos pouco efetivos da ONU e tomar atitudes simbólicas como a expulsão de diplomatas. Uma guerra civil sangrenta sem data para acabar e com chances de contaminar outros países da região é o cenário mais provável para o futuro próximo da Síria.