Por Guilherme Reis
A América é do Corinthians. E pode se dizer que Londres, nesta quinta-feira 5 julho, também amanheceu mais preta e branca. Cerca de 200 corinthianos se reuniram na madrugada de quarta para quinta no Guanabara, no centro da capital inglesa, para acompanhar o jogo decisivo que fez do Corinthians campeão da Libertadores pela primeira vez. Teve clima de estádio, tensão, ex-jogador e muita euforia ao final dos 90 minutos, em uma festa que acabou com o dia já de pé. A reportagem do The Brazilian Post esteve lá e conta como foi.
O jogo estava marcado para 21h50 no horário de Brasília, 1h50 da manhã de Londres. Por volta da meia-noite os corintianos começaram a chegar ao Guanabara, que recebia também uma festa organizada por um grupo da parada gay que vai acontecer no centro da cidade no sábado. A ideia dos gerentes do bar era dividir a festa, com uma cortina separando os dois ambientes, mas no início estavam todos juntos e misturados, no melhor estilo londrino.
Com o horário do jogo se aproximando, porém, a casa foi sendo tomada pelos corinthianos. Muitos chegavam dando o famoso grito de guerra “vai Corinthians!”, enquanto outros não conseguiam esconder o nervosismo antes da grande final. Um deles era Lucas Carneiro, que parecia alheio ao som alto que rolava na pista do Guanabara. “Ansiedade está grande, esse jogo tem que começar logo”, disse o paulistano de 32 anos. “Moro em Londres há dez anos e nunca vi o Corinthians ser campeão no estádio. Se ganharmos hoje, vou para o Mundial no Japão”, completou confiante.
Antes da bola rolar a torcida corinthiana recebeu o reforço de William (foto), capitão do Corinthians entre 2008 e 2010. O ex-jogador está em Londres para estudar inglês e acompanhar a Olímpiada, e resumiu o sentimento de torcer para o Corinthians do outro lado do mundo. “Fica bem mais fácil acompanhar daqui estando cercado por corinthianos. A gente nem se sente tão longe do Brasil. Então eu me sinto mais confortável por causa disso. Estamos cada um aqui abraçado hoje mandado energia positiva para o Pacaembu. São milhões de corinthianos não só no Brasil, mas em todo o mundo. E isso faz a gente se sentir em casa em qualquer lugar”, disse William para o TBP.
Ao apito do árbitro, o início do jogo fez a casa parar. A música tecno deu lugar à narração portuguesa da equipe do SporTV de Portugal – com guarda-redes no lugar de goleiro e goleador no lugar de atacante. Pequenas arquibancadas se formaram em frente a cada um dos quatro telões da casa, aos gritos de alguns, e caras sérias e concentradas da grande maioria. O primeiro tempo foi tenso. Jogo difícil contra o argentino Boca Juniors. E a primeira etapa ficou no zero a zero. Durante o intervalo, rolou um sambinha que deixou a galera mais descontraída. E, claro, o hino do Corinthians em alto e bom som.
No segundo tempo, o nervosismo deu lugar ao alívio e, enfim, à tão esperada festa. Emerson fez o difícil ficar fácil; com dois gols, fez o Pacaembu explodir em alegria que se multiplicou até chegar a Londres. O Guanabara foi ao delírio. Corinthians campeão da Libertadores. Para o corinthiano mais fanático não é fácil estar tão longe em um momento desse, mas os gritos de gol e de “é campeão” saíram com a mesma intensidade, em uma vitória histórica.





















