A espera foi longa. A ansiedade e a expectativa, proporcionais ao tamanho de uma Olimpíada. Agora, é tempo de festa. É tempo de receber o mundo, confraternizar, sorrir e, quem sabe, até chorar. Os olhos do planeta estão voltados para Londres. A capital inglesa, durante duas semanas, será o centro das atenções mundiais. Milhares de atletas vão competir entre si neste que é o maior evento esportivo de todos, em um clima de amizade que nos fará esquecer, nem que por alguns dias, as mazelas que fazem do mundo um lugar longe de seu ideal. Não importa qual seja sua utopia, em Londres 2012 ela pode ser possível. Todas as raças e credos estão em paz. Todas as desavenças entre povos estão em segundo plano. O espírito olímpico foi aceso. Para nós, brasileiros em Londres, é hora de aproveitar ainda mais tudo que esta cidade sempre nos ofereceu e, claro, esquentar os motores para daqui quatro anos, quando será nossa vez de receber o mundo na Olimpíada do Rio, em 2016. Para os britânicos, o momento é de orgulho por fazer parte de uma nação rica em diversidade e civilidade. Deixe-se tomar por essa atmosfera, pois esse é um momento histórico.
Espetáculo londrino
Com uma performance que contou com cerca de 10 mil voluntários, os arcos olímpicos foram emocionantemente construídos ao som da Revolução Industrial durante a cerimônia de abertura da Olimpíada 2102, na última sexta-feira (27). Mais de 80 mil pessoas assistiram ao vivo a festa que declarou o evento oficialmente aberto, no Estádio Olímpico de Stratford. Isso sem contar a multidão que se reuniu nas redondezas para assistir à queima de fogos. Outros milhares de pessoas celebraram o início dos Jogos em diversas partes da capital inglesa, deixando Londres visivelmente mais cosmopolita do que o de costume.
Contagiados pelo espírito olímpico, torcedores de diversos lugares do mundo exteriorizavam sua nacionalidade com camisetas, bandeiras, rostos pintados e, alguns mais extrovertidos, com fantasias que demonstravam a expectativa acumulada nos sete anos desde que a cidade foi escolhida como sede do maior evento esportivo do mundo. Os ingressos para a cerimônia foram disputados, principalmente os que custavam menos de 1.000 libras (R$ 3.170). Algumas pessoas chegaram a pagar 2.012 libras (R$ 6.300) para garantir um lugar na festa.
O espetáculo, que foi guardado como segredo de Estado, transformou o Estádio Olímpico numa paisagem rural tradicional da Grã-Bretanha. O roteiro foi uma linha cronológica que iniciou com a Revolução Industrial, fase histórica que teve a região como protagonista. Época, aliás, em que Londres recebeu o apelido de “capital do inferno”, por conta da velocidade que as máquinas trouxeram para o dia a dia londrino.
Com uma história bem desenrolada, o cenário mudou. E logo os espectadores foram levados a uma viagem que chegou até o lendário James Bond (Daniel Craig) e a Rainha Elizabeth II, que de paraquedas aterrissaram no estádio. Classificada como uma das melhores partes da cerimônia por muitos espectadores, a cena gerou também estranheza por parte de alguns ingleses, que a classificaram como “demais para a Rainha”, talvez pela tradição da monarquia.
Para os fãs da música britânica, os destaques foram outros. Arctic Monkeys, Paul McCartney, Dizzee Rascal, Alex Trimble (Two Doors Cinema Club), entre outros artistas, mostraram que, mesmo sem medalhas, são grandes craques.
Após quase quatro horas de cerimônia, que foi dirigida por Danny Boyle (Trainspotting), a chama olímpica foi acesa com 204 pétalas de fogo, número que representa cada um dos países que estão em Londres para os Jogos Olímpicos.
Entorno
Quem esperava que Londres vivesse um caos durante os jogos foi surpreendido. Mesmo com a cidade lotada com centenas de milhares de pessoas para assistir e, de alguma forma, participar dos Jogos Olímpicos, os ingleses puderam confirmar a fama de organizados e pontuais. O trabalho de recepção tem se mostrado realmente eficiente. Após o encerramento da cerimônia de abertura, sem dificuldade as pessoas puderam chegar até a estação e procurar pelo transporte coletivo que precisavam. O número de funcionários, voluntários e policiais aumentou consideravelmente e a cordialidade com que eles auxiliam os turistas é realmente de se tirar o chapéu.
Cenário
Londres 2012 é marcada por um pano de fundo de crise econômica, o que levanta o questionamento sobre os mais de 9 bilhões de libras (R$ 29 bilhões) gastos pelo governo britânico com o evento, além de acirradas polêmicas sobre segurança e transporte. Também houve indagação sobre a homenagem recebida pelo National Health Service (NHS) no evento. O serviço é um dos principais alvos de críticas da população por conta dos cortes feitos pelo governo britânico em resposta a crise financeira que os ingleses vivem – a maior em 50 anos.
Faixas exclusivas
A delimitação de faixas de trânsito exclusivas para a “família olímpica” correspondem a 50 quilômetros de vias que foram reservados para VIPs, atletas, jornalistas, patrocinadores e organizadores dos Jogos. Para muitos moradores isso foi resultado de imensos congestionamentos, ao passo da campanha que a rede de transporte e a prefeitura de Londres criaram incentivando os londrinos a evitarem as estações mais turísticas. “Esta estação estará cheia durante os Jogos”, era possível ouvir em pontos que são rota de passagem para o estádio olímpico.
Brasil
A expectativa para a próxima Olimpíada, a ser realizada no Rio de Janeiro, tem colocado o Brasil em posição de destaque em toda programação de Londres 2012. Na última semana, a presidenta Dilma Rousseff esteve em Londres e cumpriu diferentes agendas. Dilma participou da inauguração de um espaço que foi intitulado como a “vitrine” do Rio 2016 em Londres: a Casa Brasil, que ficará aberta até 10 de setembro, na Somerset House. Além de informações sobre o Rio de Janeiro, mostras de arte e shows de música fazem parte da programação. Assim como o Brasil, outros países montaram espaços que vão reunir atletas e torcedores (leia mais na página 13).
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